Utilizei frequentemente em meus escritos a imagem de que, para entender o mar, não é suficiente surfar em suas ondas, temer as tempestades ou extasiar-se diante da beleza das ondas que chegam às praias, mas é necessário penetrar na imensidão e na profundidade dos oceanos… para entender o mar.

Assim é conosco, e assim é com tudo o que acontece com a sociedade e com tudo o que nos rodeia, da qual somos parte. É preciso ir além do que parece, das aparências, do que noticiam ou comentam a mídia e seus comentaristas. Para entender os fatos, à semelhança de como para entender o mar, é preciso penetrar em sua dimensão e sua profundidade, e não permanecer na superfície, se quisermos entender a verdade do que  acontece, do que está nos acontecendo, ou do que está acontecendo com o Brasil.

O que há por trás, o que podemos encontrar quando penetramos na extensão e na profundidade da corrupção que nos revolta, da insegurança que nos traz o medo como se estivéssemos numa nação em guerra -tais são os números de assassinatos e atentados à vida;

– o que há por trás da impossibilidade de enormes parcelas da população de ter acesso  à saúde, à educação, à moradia e ao bem estar mínimo do que seria a exigência de uma sociedade humana, ou civilizada;

– o que há por trás da insegurança sobre o futuro, da perplexidade e da indisciplina que vemos ameaçar o equilíbrio a estabilidade e a eficácia da família e da escola em sua função de preparar as novas gerações para viver numa sociedade complexa, plural e em continua mudança;

– o que há por traz das universidades cuja formação superior que transmitem, não tem sido capaz  de, junto com seus diplomas, transferir compromissos éticos no mesmo nível superior, na consciência  de que estão preparando não só profissionais, mas lideranças sociais que serão os políticos, os empresários, os jornalistas, os juízes e promotores, os sacerdotes ou pastores, ou simplesmente os líderes de suas comunidades, os pais e mães de família, líderes que desejamos melhores dos que hoje lideram a sociedade.

Quero iniciar a resposta, apenas iniciar, citando um mestre que viveu três séculos antes da nossa era, Aristóteles. O grande filósofo grego já alertava naquela época que:

quando se rompem os laços que viabilizam a vida em sociedade são  as próprias sociedades que se aproximam de sua destruição .

Quero iniciar pondo à sua reflexão, queridos amigos e amigas, se por traz do que está acontecendo no Brasil (e no mundo)que nos revolta, que nos amedronta, que nos deixa perplexos e preocupados com o futuro, esse futuro que será onde vão viver vocês ,jovens de hoje e as próximas gerações, as gerações de nosso filhos e dos filhos de nossos filhos, quero iniciar a pôr à sua reflexão se não estamos perdendo os valores, sejam valores culturais ou valores universais, valores inerentes à condição humana, valores-laço que viabilizam a vida em sociedade, embalados apenas pela superfície das ondas e pela beleza das praias, ignorando que a verdade do mar só  se encontra  na  extensão e na profundidade dos oceanos.

Permito-me, queridos amigos, queridas amigas, a convidá-los a essa reflexão, que retomarei em meu regresso após os próximos 15 dias, quando estarei em viagem ao exterior.

Por hoje, com esse convite, é com satisfação que quero comunicar também que a mesma Editora europeia que editou em francês meu livro PARTICIPAÇÃO E SOLIDARIEDADE, a Revolução do Terceiro Milênio, por iniciativa própria está preparando nesse meio tempo sua edição em inglês, com vistas a atingir um público maior, conforme justificou.

Há esperança, sim, meu amigo, querida amiga, há razões de esperança, porque  cresce a massa de consciência dos que acreditam que um mundo melhor, mais participativo e solidário, é possível. Seja mais um a unir-se a tantos que lutam por esse novo mundo.

Acesse nosso Site e assista uma nova série sobre o Livro Participação e Solidariedade, e acompanhe nossa rede social. Comente, curta, compartilhe

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Last Modified: outubro 9, 2017

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